Pensamento Computacional no Ensino Superior: uma nova lógica para resolver problemas.

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Quando falamos em pensamento computacional, é bem provável que você pense em uma série de caracteres em uma tela, como naqueles filmes de hackers.

No entanto, o pensamento computacional existe de forma independente das máquinas — ou seja, você não precisa de um computador para desenvolver essa maneira de pensar.

Neste artigo, falamos sobre como as instituições de ensino superior podem se beneficiar da implementação deste conceito em suas salas de aula.

Assim como, veremos que para existirem as máquinas, foi necessário atualizar a lógica que a humanidade seguiu por milênios.

O que NÃO É Pensamento Computacional.

Pensamento computacional, segundo Christian Brackmann, NÃO deve ser confundido com o alfabetismo digital. Isto é, a capacidade de compreensão ou familiaridade com o uso de recursos de informática.

Talvez você pense: “Em minha instituição, todos os alunos sabem mexer muito bem em computadores e celulares, então minha parte já está feita.”

Isso é ótimo, mas não é sobre isso que nos referimos neste artigo. Estamos falando de uma maneira de pensar.

O que é Pensamento Computacional.

O pensamento computacional é uma forma de identificar problemas e desenvolver soluções por meio da lógica, em quatro etapas: 

  1. Decomposição;
  2. Reconhecimento de padrões;
  3. Abstração;
  4. Algoritmos.

Para entendê-lo, precisamos saber o contexto em que ele surgiu e, em seguida, entender cada uma destas quatro etapas. Vamos! É mais simples do que você imagina.

Como surgiu essa maneira de pensar?

Brackmann diz que a lógica computacional é uma versão mais poderosa da lógica tradicional, desenvolvida por Aristóteles: “mais poderosa, concisa e prática em relação a sua versão antecessora.”

O Pensamento Computacional surgiu ao longo do século XX. Um artigo dos autores Papert e Solomon, escrito em 1971, já demonstrava tais ideias.

Em 1980, o matemático Seymour Papert utilizou o termo “Pensamento Computacional”. Mas foi Jeannette Wing, professora de ciência da computação, quem popularizou o termo.

Wing definiu o termo como uma combinação do pensamento crítico com os fundamento da Computação, sendo esta uma metodologia para resolver problemas. Mais tarde, em 2014, ela fez acréscimos à definição.

Diz Brackmann: “a autora faz uma pequena alteração na definição anterior, afirmando que ‘são os processos de pensamento envolvidos na formulação de um problema e que expressam sua solução ou soluções eficazmente, de tal forma que uma máquina ou uma pessoa possa realizar’; ainda complementa como sendo uma ‘automação da abstração’ e ‘o ato de pensar como um cientista da Computação’.”

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De que forma o Pensamento Computacional resolve problemas?

Christian Brackmann frisa que essa forma de pensar está alicerçada em 4 pilares: decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e algoritmos.

1 — Quando um problema surge, o primeiro pilar é a decomposição.

Assim, o problema é dividido em problemas menores. Por exemplo, caso uma instituição perceba que o faturamento está caindo, pode dividir o problema em partes menores como: a evasão de alunos, a inadimplência, a gestão inadequada, a falta de atendimento aos alunos, entre outras partes que podem causar um fluxo de caixa diminuindo.

2 — Após a decomposição, o segundo pilar é o reconhecimento de padrões.

Aqui serão percebidos os detalhes importantes, de modo que as informações irrelevantes para a questão sejam descartadas.

É notável que a evasão, uma das partes decompostas do problema, gera uma queda no faturamento; este é um padrão. Talvez haja pequenas rachaduras em uma parede do pátio da instituição, mas este problema não faz parte dos padrões que fazem um faturamento cair, portanto, é irrelevante.

3 — Logo após reconhecer padrões, o terceiro pilar é a abstração.

De acordo com Jeannette Wing, abstrações são a chave. Deste modo, as informações irrelevantes são descartadas e o enfoque é dado a uma parte específica do problema.

Não é possível consertar um carro velho tentando dar conta de tudo em simultâneo; você deve abstrair o motor, por exemplo, e consertá-lo, para em seguida dar atenção a outras partes do problema.

4 — Após as abstrações, o quarto pilar consiste nos algoritmos.

Contudo, o que são algoritmos, neste caso? De acordo com Liukas, o algoritmo é “um conjunto de passos específicos usado para solucionar um problema”.

Ou seja, é o resultado dos primeiros três pilares: a resolução de um problema de forma estruturada.

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Como o Pensamento Computacional tem sido utilizado no ensino?

Ao longo deste artigo, vimos que o Pensamento Computacional não trata de meros programas de computador; é uma maneira de pensar que se aplica às mais diversas áreas de conhecimento.

Ou seja, é a perfeita interseção entre a tecnologia e a educação, de modo que ambas se encontram, conversam e chegam a uma metodologia para resolver problemas.

Jeannette Wing disse: “Pensamento Computacional é uma habilidade fundamental para todos, não apenas para cientistas da Computação. Além de aprender a ler, escrever e calcular, deveríamos adicionar Pensamento Computacional na capacidade analítica de cada criança.”

Isso foi observado na prática: em 2017, um estudo realizado com crianças da educação primária de duas escolas brasileiras utilizando o Pensamento Computacional Desplugado, ou seja, a lógica dos computadores utilizada em materiais escolares comuns. Apontou que em escolas onde não há internet ou computadores, houve uma melhoria no aprendizado e na retenção de conhecimento.

Os professores precisam acessar tais métodos de ensino e formas de pensar. E até mesmo a gestão, conforme observamos no tópico anterior, se beneficia do Pensamento Computacional.

Garanta que cada professor e cada aluno em sua instituição conheçam a lógica computacional e aprendam a desenvolver soluções com base nela.

Gostou do conteúdo? Você trabalha de uma forma diferente na sua instituição? Conta pra gente nos comentários!

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