Série Metodologias Ativas: entenda o que são e como funcionam

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Série Metodologias Ativas: entenda o que são e como funcionam
Foto de William Fortunato no Pexels

Já se foi o tempo em que o único jeito de estudar era com um professor ensinando e os alunos sentados apenas ouvindo e anotando, esse método vem evoluindo aos poucos, dando espaço para metodologias ativas que são mais abrangentes e eficazes.

Hoje em dia o acesso às informações é muito mais dinâmico, as pessoas têm tudo na palma da mão. E com base nos novos modelos de estudantes, que precisam de conteúdo de maneira intuitiva, direta e adaptável, às metodologias ativas de ensino têm ganhado grande destaque.

Mas o que são Metodologias Ativas?

As metodologias ativas são métodos de ensino que fogem do professor como foco principal, colocando o aluno e suas particularidades como o centro, adequando as suas necessidades intelectuais e emocionais para que ele aprenda melhor.

Pode ser utilizada em todas as etapas da vida de um estudante. As metodologias ajudam a formar uma nova geração de pessoas ao mesmo tempo que se adaptam aos estudantes advindos do método antigo.

Alunos de ensino superior, técnico ou mais avançados como mestrandos, doutorandos e a maioria dos professores tiveram grande parte de sua educação ministrada no modelo tradicional.

Hoje, no entanto, esses personagens podem contar com as novas metodologias que facilitam seu dia-a-dia como estudante e abrangem as maneiras como cada um aprende, otimizando tempo de estudo e agregando mais conhecimento. 

Essas novas metodologias de ensino são estudadas há muitos anos. Um dos maiores pesquisadores da área foi o psiquiatra William Glasser (1925-2013), que defendia a teoria de que o professor precisa ser um guia, caminhar junto com o aluno e não ser um chefe, alguém que dita regras.

Glasser também é autor da famosa Pirâmide do Aprendizado, ele calculou a porcentagem de retenção eficaz de conteúdo que cada método de aprendizado traz.

Que seria assim, aprendemos:

10% – Quando lemos; 
20% – Quando ouvimos; 
30% – Quando assistimos algo; 
50% – Quando vemos e escutamos; 
70% – Quando debatemos, perguntamos, conversamos sobre;
80% – Quando escrevemos e interpretamos; 
95% – Quando ensinamos outra pessoa, resumindo, simplificando, definindo.

Como utilizar as Metodologias Ativas na prática

Existem alguns modelos já preestabelecidos para se utilizar as teorias de Glasser na prática, que são:

Project based learning – PBL: resolução de problemas

O aprendizado baseado em projetos é um método de ensino no qual os estudantes adquirem conhecimento e habilidades trabalhando por um período de tempo para solucionar e responder um desafio/problema.

Para isso, pode-se utilizar ferramentas como livros, debates e internet para ajudar.

O professor, nesse caso, fica no papel de mediador, ajudando os alunos a encontrarem a solução por si mesmos, o processo de conhecimento passa a ser construído de maneira ativa, colaborativa e interdisciplinar.

Colocando em prática o método PBL

Primeiro é lançado o problema pelo professor, é preferível que os temas façam parte do cotidiano dos alunos, para que eles mantenham o interesse.

Depois, é preciso estipular um cronograma para as atividades. Feito isso, é importante que a turma discuta sobre o problema, gerando linhas de raciocínio e dividindo-se em grupos.

Após isso, é a hora da pesquisa, ponto principal do aprendizado. Os alunos buscam informações sobre o tema em materiais didáticos e internet, sempre com orientação do professor.

Separam o que será útil ou não, assim desenvolvendo o senso crítico nos estudantes.

Os alunos após fazerem a pesquisa precisam desenvolver hipóteses para a solução do desafio/problema, para então poderem apresentar no cronograma predefinido suas conclusões.

A apresentação pode ser através de vídeos, cartazes, slides, como o grupo achar melhor e mais didático.

A avaliação do professor é feita com base em todo o projeto, desde o envolvimento de cada aluno até a resolução em si do trabalho.

Team based learning – TBL: aprendizagem entre times

O aprendizado baseado em equipe é uma estratégia de ensino colaborativo baseado em evidências conhecidas como “módulos”, que são ensinadas em um ciclo de três etapas:

Preparação, testes de garantia de prontidão em sala de aula e exercício focado na aplicação. Uma aula normalmente inclui um módulo.

Colocando em prática o método TBL

Os grupos devem ser devidamente formados, normalmente juntando os talentos individuais de cada aluno, por exemplo: um é melhor escrevendo, outro atuando e outro pesquisando.

As equipes são mantidas por todo o curso.

Os alunos devem completar os materiais preparatórios antes de uma aula ou do início do módulo. O material pode ser texto, visual ou em áudio, e sendo adequado ao nível de cada turma.

Os alunos também completam um teste de prontidão individual que consiste de 5 a 20 perguntas de múltipla escolha.  Após submeterem suas respostas individuais, fazem o mesmo teste com sua equipe.  

A equipe é responsável por realizar e corrigir os testes aplicados nas outras equipes, avaliando os conteúdos produzidos e sendo avaliados ao mesmo tempo.

As tarefas em equipe devem promover tanto o aprendizado quanto o desenvolvimento pessoal e de equipe de cada um.

A tarefa do professor é auxiliar na elaboração e correção dos materiais, sendo imparcial.

Os testes são importantes, pois dão aos alunos um incentivo real para aprender o conteúdo com antecedência, participar das aulas e contribuir para as discussões em equipe.

Flipped classroom: sala de aula invertida

O método da sala de aula invertida pode ser definido como uma inversão do método tradicional, na qual o aluno recebe uma prévia do conteúdo para que seja otimizado o tempo em sala de aula.

Isso faz com que ele tenha acesso a informação de casa, que pode ser através de uma palestra, texto, vídeo, podcasts, etc.

Em seguida, o tempo de aula é usado para atividades mais dinâmicas e participativas, como busca de solução de problemas, instrução de colegas, debates ou trabalhos em grupo, contando com o apoio direto do professor.

Como colocar em prática a sala de aula invertida

Esse método tem como base quatro pilares, segundo a organização Flipped Learning, que são:

  • Ambiente Flexível (Flexible Environment)

Misturando o ensino presencial com o online, esse método abre um grande leque de possibilidades de aprendizado, permitindo que o aluno escolha aprender da maneira que melhor lhe convém.

  • Cultura de aprendizagem (Learning Culture)

Os métodos antigos de aprendizado tinham o professor como fonte única de conhecimento e com a maior facilidade de acesso a todo tipo de conteúdo esse método ficou defasado.

Aqui o foco é o aluno, fazendo com que ele busque conhecimento, criando novas oportunidades de aprendizado e o professor fica com a função de instruir e avaliar.

  • Conteúdo Intencional (Intentional Content)

Neste modelo o aluno é incentivado a pensar fora da caixa.

Avaliar todos os pontos de vista, desenvolver uma compreensão melhor sobre os fatos e com isso retendo mais conhecimento.

  • Educador Profissional (Professional Educator)

Por mais que o foco não seja mais o professor, o seu papel continua de suma importância, assumindo o papel de mentor e mediador, fornecendo feedback relevante e construtivo para os seus alunos, além de refletir sobre a qualidade do seu trabalho no processo de aprendizado.

Ensino híbrido

O Ensino Híbrido é a junção de dois modelos de aprendizagem: o online e o offline. 

O método offline é o que todos conhecemos, a sala de aula propriamente dita, o modo online é todo conteúdo que o aluno tem através da internet.

Leia também: Série Metodologias Ativas: Ensino Híbrido

Gamificação: ensino por meio de jogos

Este método traz os jogos, sejam eles de tabuleiro, online, de estratégia ou de atividades físicas que atraem bastante os alunos, para estimular o lado competitivo, lógico e desafiador deles.

O papel do professor nesse método é o de transformar conteúdo em jogos.

O uso das metodologias ativas é um caminho para facilitar a vida dos estudantes de todas as idades, mas principalmente os jovens e adultos, que com a vida cada vez mais corrida podem otimizar o tempo de estudo.

Elas reduzem sua carga horária presencial o que gera maior aproveitamento do tempo livre para aprendizado de novos conteúdos de forma mais adaptada.

Além das vantagens para os estudantes, os professores e gestores também se beneficiam, de forma que não são mais os únicos responsáveis por transmitir conhecimento, podendo usar abordagens mais dinâmicas e práticas.

Isso evita o excesso de atividades para os professores e torna a relação com os alunos mais agradável e menos maçante.

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